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Arte com o título Produto com defeito: direitos do consumidor, prazos e como reclamar, nas cores do Hulbert & Pozzobom Advogados Associados

Produto com defeito: direitos do consumidor, prazos e como reclamar

Conteúdo do post

Os direitos do consumidor em caso de produto com defeito começam pelo conserto: a loja e o fabricante respondem juntos e têm até 30 dias para resolver o problema. Se não resolverem, o consumidor escolhe entre a troca, a devolução do valor pago, com correção, ou o abatimento do preço. O prazo para reclamar é de 30 ou 90 dias, conforme o produto (CDC, arts. 18 e 26).

Em resumo

  • O fornecedor tem até 30 dias para sanar o vício; depois, o consumidor escolhe entre troca, restituição atualizada ou abatimento do preço (CDC, art. 18, § 1º).
  • Se o produto for essencial ou se o conserto puder comprometê-lo, a escolha pode ser feita de imediato (art. 18, § 3º).
  • Loja, fabricante e demais fornecedores respondem solidariamente pelo vício (art. 18, caput).
  • O prazo para reclamar é de 30 dias para produtos não duráveis e de 90 dias para duráveis; no vício oculto, ele conta de quando o defeito aparece (art. 26).
  • Se o defeito causar um acidente, a indenização pode ser pedida em até 5 anos (arts. 12 e 27).

Quais são os direitos do consumidor em caso de produto com defeito?

O consumidor que recebe um produto com defeito pode exigir que o problema seja resolvido e, se isso não acontecer no prazo legal, escolher a solução. A base está no Código de Defesa do Consumidor (CDC), a Lei 8.078/1990:

“Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor […]”

O consumidor tem direito a:

  1. exigir o conserto do produto em até 30 dias (art. 18, § 1º);
  2. escolher, se o vício não for sanado, entre troca, devolução do valor pago ou abatimento do preço (art. 18, § 1º, I a III);
  3. usar essas alternativas de imediato em certos casos, como o de produto essencial (art. 18, § 3º);
  4. reclamar de qualquer fornecedor da cadeia, inclusive da loja (art. 18, caput);
  5. ser indenizado pelos danos que o defeito causar (arts. 12 e 18, § 1º, II);
  6. contar com a garantia legal, que não pode ser afastada pelo contrato (art. 24);
  7. ter a defesa facilitada, inclusive com a inversão do ônus da prova, a critério do juiz (art. 6º, VIII).

O desconhecimento do vício pelo fornecedor não o isenta de responsabilidade (art. 23), e são proibidas as cláusulas que impeçam, exonerem ou atenuem o dever de indenizar (art. 25).

Quando o CDC se aplica

O CDC rege a compra feita de um fornecedor, isto é, de quem exerce como atividade a fabricação, a importação ou a comercialização de produtos (art. 3º), por quem adquire o produto como destinatário final (art. 2º).

Na compra entre particulares, sem fornecedor profissional, valem as regras do Código Civil sobre vícios redibitórios. Para bens móveis, o prazo para desfazer o negócio ou pedir abatimento é de 30 dias da entrega, com regra especial para o vício que só se revela mais tarde (art. 445, caput e § 1º).

Vício ou defeito: qual é a diferença?

Vício é o problema que torna o produto impróprio para o uso ou diminui seu valor; defeito, no sentido técnico do CDC, é a falha de segurança do produto, e, quando ela causa um acidente de consumo, fala-se em fato do produto. No dia a dia, as duas situações são chamadas de “produto com defeito”, mas a lei dá a cada uma regras, responsáveis e prazos próprios.

A geladeira que não gela tem um vício (art. 18). Já o carregador que superaquece e provoca um incêndio apresenta defeito de segurança: segundo o art. 12, § 1º, o produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, consideradas sua apresentação, o uso e os riscos razoavelmente esperados e a época em que foi colocado em circulação.

Vício do produto Fato do produto (acidente de consumo)
O que é Problema de qualidade ou quantidade que torna o produto impróprio ou reduz seu valor Falha de segurança que causa dano ao consumidor ou a terceiros
Exemplo Televisor que não liga Panela de pressão que explode e fere quem cozinha
Quem responde Todos os fornecedores, solidariamente (art. 18) Fabricante, produtor, construtor e importador (art. 12); o comerciante, nos casos do art. 13
Prazo 30 ou 90 dias para reclamar (art. 26) 5 anos para pedir indenização (art. 27)

Quando o produto causa um acidente

No fato do produto, o fabricante, o produtor, o construtor e o importador respondem independentemente de culpa (art. 12). Eles só se eximem se provarem que não colocaram o produto no mercado, que o defeito não existe ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (art. 12, § 3º).

O comerciante responde quando o fabricante não puder ser identificado, quando o produto for vendido sem identificação clara do fabricante ou quando ele não conservar adequadamente produtos perecíveis (art. 13). As vítimas do acidente que não compraram o produto também são protegidas, porque a lei as equipara a consumidores (art. 17).

O fornecedor tem 30 dias para consertar o produto?

Sim. Constatado o vício, o fornecedor tem no máximo 30 dias para saná-lo. Se não o fizer, a escolha passa ao consumidor:

“§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I – a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III – o abatimento proporcional do preço.”

As partes podem combinar outro prazo para o conserto, entre 7 e 180 dias; nos contratos de adesão, essa cláusula precisa ser aceita em separado, por manifestação expressa do consumidor (art. 18, § 2º). Se não houver produto igual para a troca, admite-se outro de espécie, marca ou modelo diferente, com complementação ou restituição da diferença de preço (art. 18, § 4º).

Quando não é preciso esperar os 30 dias

Em três situações, o consumidor pode exigir de imediato a troca, a devolução ou o abatimento:

“§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.”

A lei não traz uma lista de produtos essenciais. A avaliação considera a função do bem na rotina do consumidor (a geladeira de uma família, por exemplo) e é feita caso a caso. A regra não obriga o fornecedor a consertar na hora; ela permite ao consumidor exigir desde logo uma das três alternativas.

O defeito voltou depois do conserto

Se o produto volta da assistência técnica com o mesmo problema, o vício não foi sanado. Por isso, exija ordem de serviço com a data de entrada, a descrição do defeito e a data de devolução, dados que mostram quanto do prazo de 30 dias já se passou. A repetição do defeito também ajuda a avaliar se a extensão do vício justifica a escolha imediata do § 3º.

Quem responde pelo produto com defeito: a loja ou o fabricante?

Os dois. No vício do produto, todos os fornecedores da cadeia respondem solidariamente, e o consumidor pode reclamar à loja, ao fabricante ou a ambos (art. 18). O Procon-PR orienta no mesmo sentido: fabricante e comerciante devem atender o consumidor e encaminhar a reclamação (Procon-PR, Dicas e Direitos: Produtos).

Na prática, é comum a loja indicar a assistência técnica autorizada, o que pode agilizar o conserto, mas não encerra a responsabilidade da loja enquanto o problema não for resolvido. Fabricantes e importadores também devem assegurar a oferta de peças de reposição enquanto o produto for fabricado ou importado e, depois disso, por período razoável (art. 32).

Produto com menos conteúdo do que o informado

Quando o conteúdo líquido é inferior ao indicado na embalagem, no rótulo ou na publicidade, há vício de quantidade. O consumidor escolhe entre o abatimento do preço, a complementação do peso ou da medida, a troca por produto sem o vício ou a devolução do valor pago, com correção (art. 19).

Qual é o prazo para reclamar de produto com defeito?

O prazo é de 30 dias para produtos não duráveis, como alimentos e cosméticos, e de 90 dias para os duráveis, como eletrodomésticos, móveis e veículos, contados da entrega efetiva (art. 26, § 1º):

“Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I – trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis; II – noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.”

São prazos de decadência: perdidos, extingue-se o direito de reclamar do vício. A reclamação comprovadamente feita ao fornecedor obsta o prazo até a resposta negativa, que deve ser transmitida de forma inequívoca (art. 26, § 2º, I).

Vício oculto: quando o problema aparece depois

Vício oculto é o que não podia ser percebido no momento da compra e só se manifesta com o uso, como uma falha interna de motor ou de placa eletrônica. Nesse caso, a contagem muda:

“§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito.”

Assim, o vício oculto de um produto durável pode ser reclamado em 90 dias a partir do momento em que se torna evidente, inclusive, conforme o caso, depois do fim da garantia de fábrica. A análise leva em conta a natureza do produto e o tempo de uso razoavelmente esperado, porque o desgaste natural não é vício. O tema é frequente em veículos, como mostra o texto sobre vício oculto em caminhão zero km.

Resumo dos prazos (CDC, salvo indicação):

Situação Prazo Base legal
Fornecedor sanar o vício Até 30 dias, ou o prazo combinado entre 7 e 180 dias art. 18, §§ 1º e 2º
Reclamar de vício aparente em produto não durável 30 dias da entrega art. 26, I e § 1º
Reclamar de vício aparente em produto durável 90 dias da entrega art. 26, II e § 1º
Reclamar de vício oculto 30 ou 90 dias, contados de quando o defeito ficar evidente art. 26, § 3º
Pedir indenização por acidente de consumo 5 anos do conhecimento do dano e de sua autoria art. 27
Compra de bem móvel entre particulares 30 dias da entrega, com regra especial para o vício que só se revela depois Código Civil, art. 445, caput e § 1º

Garantia legal e garantia de fábrica: qual é a diferença?

A garantia legal existe por força da lei, independe de termo escrito e não pode ser afastada pelo contrato (art. 24). A garantia de fábrica, ou contratual, é oferecida pelo fornecedor e complementa a legal, sem substituí-la:

“Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito.”

O termo de garantia deve ser padronizado e esclarecer em que ela consiste, a forma, o prazo e o lugar para exercê-la e os ônus a cargo do consumidor. Ele deve ser entregue preenchido no ato da compra, com manual de instrução, de instalação e uso em linguagem didática (art. 50, parágrafo único).

A garantia estendida, em geral contratada à parte, não pode ser imposta como condição para a venda do produto, o que configuraria venda casada, uma das práticas abusivas proibidas pelo CDC (art. 39, I).

Produto de mostruário, usado ou em promoção

Produtos em promoção têm a mesma garantia legal. Nos de mostruário, o Procon-PR orienta que os defeitos já existentes sejam informados por escrito na nota fiscal: o consumidor informado não pode reclamar depois daquele defeito específico, mas pode reclamar de outros problemas. O usado vendido por loja ou revenda também segue o CDC, com os prazos do art. 26.

Recall: o que fazer quando o fabricante convoca?

Recall é o chamamento feito pelo fornecedor que descobre, depois de colocar o produto no mercado, que ele apresenta risco à saúde ou à segurança. A comunicação às autoridades e aos consumidores deve ser imediata, inclusive por anúncios na imprensa, no rádio e na televisão, às custas do fornecedor (art. 10, §§ 1º e 2º).

Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o consumidor deve verificar se o produto está na campanha e, se estiver, procurar o fornecedor ou o local indicado no aviso de risco para o reparo ou a troca da peça, sem custo. Enquanto persistir o risco que motivou o recall, o consumidor pode exigir o reparo ou a troca. Se o defeito já tiver causado dano, aplicam-se as regras do fato do produto.

Como reclamar de produto com defeito, passo a passo?

  1. Se houver risco à segurança, pare de usar o produto.
  2. Reúna nota fiscal, termo de garantia, manual, fotos e vídeos do defeito.
  3. Reclame por escrito à loja, ao fabricante ou aos dois, e anote o protocolo.
  4. Ao entregar o produto para conserto, exija ordem de serviço com data e descrição do problema.
  5. Passados 30 dias sem solução, comunique por escrito a sua escolha: troca, devolução do valor ou abatimento (art. 18, § 1º).
  6. Sem resposta, registre reclamação no consumidor.gov.br, onde a empresa tem até 10 dias para responder, ou no Procon, como explica o texto sobre como registrar uma reclamação no Procon.
  7. Persistindo o problema, avalie a ação no Juizado Especial Cível, que recebe causas de até 40 salários mínimos, com advogado obrigatório acima de 20 salários mínimos (Lei 9.099/1995, arts. 3º, I, e 9º).

Infográfico com 7 passos para reclamar de produto com defeito: segurança, documentos, reclamação por escrito, ordem de serviço, escolha após 30 dias, consumidor.gov.br ou Procon e Juizado Especial Cível

Nas ações de responsabilidade do fornecedor, o consumidor pode propor a ação no próprio domicílio (CDC, art. 101, I). Em Londrina, a ação tramita nos Juizados Especiais Cíveis ou nas Varas Cíveis da comarca, conforme o valor e a complexidade. O Procon-PR lembra que pedidos de indenização por danos morais devem ser levados ao Juizado ou à Justiça comum; os critérios estão no texto sobre como proceder em casos de danos morais.

Documentos que ajudam

  • nota fiscal ou comprovante de compra;
  • termo de garantia, manual e embalagem;
  • fotos e vídeos do defeito, com data;
  • ordens de serviço e laudos da assistência técnica;
  • protocolos, e-mails e mensagens trocadas com a loja e o fabricante;
  • anúncio, rótulo ou embalagem, quando o problema for diferença entre o anunciado e o entregue.

Perguntas frequentes sobre produto com defeito

A loja pode se recusar a receber o produto e me mandar para a assistência técnica?

A loja responde pelo vício junto com o fabricante (CDC, art. 18). Ela pode encaminhar o produto à assistência autorizada, mas continua responsável pela solução no prazo de 30 dias. A recusa pode ser registrada no consumidor.gov.br ou no Procon.

Comprei na loja física e não gostei do produto. Sou obrigado a ficar com ele?

Sem defeito, a lei não obriga a loja a trocar. A troca por gosto, tamanho ou cor depende da política da loja, que deve ser cumprida quando anunciada (art. 30). Nas compras feitas fora da loja, vale o direito de arrependimento nas compras online, de 7 dias (art. 49).

Produto usado tem garantia?

Sim, quando vendido por fornecedor, como uma loja ou uma revenda de veículos: aplicam-se os prazos do art. 26 do CDC. Na compra entre particulares, valem as regras do Código Civil sobre vícios redibitórios (arts. 441 e 445).

O conserto feito dentro da garantia pode ser cobrado?

Não, se o problema for vício do produto: saná-lo é obrigação do fornecedor (art. 18), e a garantia legal não pode ser afastada (art. 24). A discussão costuma girar em torno da causa, porque danos provocados por mau uso não são vício. O termo da garantia contratual deve informar de antemão eventuais ônus do consumidor (art. 50, parágrafo único).

O produto comprado pela internet chegou com defeito. Uso o arrependimento ou a garantia?

As duas vias existem. Em até 7 dias do recebimento, é possível desistir da compra sem justificar (art. 49); depois disso, valem as regras do vício (arts. 18 e 26).

Devolvi o produto, mas as parcelas continuam sendo cobradas. O que fazer?

Desfeita a compra, as cobranças posteriores não têm causa. Conteste por escrito e guarde os comprovantes; o caminho está no texto sobre o que fazer em casos de cobrança indevida.

Quando buscar orientação jurídica

Se o produto com defeito não foi consertado em 30 dias, se o problema voltou depois do conserto, se causou algum dano ou se a loja e o fabricante se recusam a assumir a solução, vale reunir os documentos e buscar orientação para avaliar prazos, provas e o caminho adequado. O Hulbert & Pozzobom Advogados Associados atua em Direito do Consumidor em Londrina e região; os canais de atendimento estão na página de contato do escritório.


Autoria: Dra. Raquel Jandre Pozzobom, advogada, OAB/PR 108.847, sócia do Hulbert & Pozzobom Advogados Associados (Londrina/PR).
Revisão jurídica: Dr. Herik Hulbert de Almeida, OAB/PR 103.367.
Publicado em 31/07/2026. Atualizado em 19/10/2026.
O que mudou nesta atualização: texto reescrito no padrão de artigo do escritório, com fontes oficiais conferidas.
Conteúdo informativo, elaborado com apoio de ferramentas digitais e revisado por advogado. Não substitui a análise individual de cada situação.

Fontes consultadas (acesso em 10/10/2026)

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